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UM CONHECIDO DA REABILITAÇÃO E O SALMO 103

Quando tinha quatro anos, a minha mãe ensinou-me a acreditar em Deus e a rezar. Nunca perdi essa ligação com a fé. Como queria conhecer o mundo, mais tarde candidatei-me a um cargo de assistente de engenheiro na navegação marítima. Esperava passar a minha primeira passagem de ano a bordo no porto. No entanto, na tarde de 31 de dezembro, a agência mandou-nos para o mar. Partimos com tanta pressa que nenhum de nós teve tempo de arranjar algo para ler antes de partir.

No meu camarote, procurei entre as caixas algo que se pudesse ler. De facto, encontrei um pequeno livrinho preto que, aparentemente, outro marinheiro tinha deixado lá: um Novo Testamento com os Salmos! Fiquei sem palavras e interpretei o meu achado como um sinal de Jesus. Mais tarde, comprei uma Bíblia completa. Esta tornou-se a minha companheira inseparável. Passados 10 anos, desembarquei definitivamente e, a partir daí, passei a dedicar-me à instalação elétrica de navios.

Profissionalmente, tive sucesso; acabei por ascender à direção da minha empresa. Começou um período de convívio, mas a minha relação com Jesus foi enfraquecendo. E depois veio a queda: perdi a minha família e a minha casa; de repente, tudo acabou. Só restaram dívidas. Um conhecido, que fazia parte da direção de uma congregação evangélica, arranjou-me um lugar num retiro para líderes do Círculo de Marburgo. Trata-se de um grupo de trabalho composto por cristãos empenhados, de diversas profissões e confissões. Nesse retiro, percebi que Jesus esperava de mim uma entrega total. Pude libertar-me. E foi isso que fiz. Entreguei a minha vida a Jesus.

Algum tempo depois, durante um programa de reabilitação, testemunhei como algumas pessoas do meu círculo intimidavam uma senhora e se recusavam a dar um passeio com ela. Isso desafiou-me. Foi assim que conheci uma senhora delicada e atraente. O facto de ela ser adventista não significava nada para mim naquela altura. Lá fora, o tempo estava gelado de inverno. Caminhámos juntos pela floresta invernal à porta. Não ficou por esse único passeio. Gostávamos de conversar sobre a Bíblia. Fiquei impressionado com o seu vasto conhecimento nesta área.

No Natal, fui à igreja da aldeia vizinha. Lá voltei a encontrá-la e sentei-me ao lado dela. O sermão versava sobre o Salmo 103. A minha vizinha de banco chorava. Ela não sabia se alguma vez voltaria a conseguir andar sem ajuda. Rezei por ela. E mais um ano chegou ao fim. Não fazia ideia do que o novo ano traria.

Alguns dias depois, a senhora da clínica de reabilitação convidou-me para ir à sua igreja, a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Eu nunca tinha ouvido falar dos Adventistas do Sétimo Dia. A celebração de fim de ano teve como tema o Salmo 103. Desde o retiro do Círculo de Marburgo que nunca tinha ouvido uma pregação bíblica tão clara. Espontaneamente, disse — em voz alta e bem clara: „Aqui fico!“

Devido ao meu passado marcado pela Bíblia, pude concordar com tudo o que ouvi nas pregações e nas orações. Por me sentir feliz com essa experiência e por reverência à Palavra de Deus, frequentei as aulas de preparação para o batismo com o pastor local e, pouco tempo depois, recebi o batismo de adulto.

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