O QUE DIZEU JESUS SOBRE JERUSALÉM, A SUA VOLTA E O FIM DO MUNDO?
O QUE APRENDEMOS COM O „MINI-FIM DO MUNDO“ NO ANO 70 D.C.?
Os discípulos perguntaram a Jesus: „Diz-nos: quando é que isso (a destruição do templo) vai acontecer? E como é que vamos saber que vais vir e que chegou o fim do mundo?“ (Mateus 24,3)
Os discípulos perguntaram, numa única frase, sobre dois acontecimentos: por um lado, sobre a destruição do Templo e de Jerusalém e, por outro, sobre a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo que a acompanha. Os discípulos partiam do princípio de que estes acontecimentos ocorreriam simultaneamente. Para eles, naquela altura, a destruição do grandioso Templo só era concebível em conjunto com a volta de Jesus e o fim do mundo. Nós, hoje, sabemos, naturalmente, que há um longo período de tempo entre ambos.
É surpreendente que, mesmo assim, Jesus tenha respondido em pormenor precisamente a esta pergunta dos discípulos. A sua resposta abrange os capítulos 24 e 25 de Mateus, bem como os capítulos paralelos 13 de Marcos e 21 de Lucas.
Nesse contexto, chama-nos a atenção o facto de Jesus não ter feito qualquer referência à diferença temporal entre os dois acontecimentos. Uma das razões para isso foi certamente a intenção de Jesus de não inquietar os discípulos. Se lhes tivesse dito que só regressaria após tanto tempo, isso teria desanimado todos eles.
Mas há ainda outra razão: Jesus viu os paralelos entre os acontecimentos daquela época, que conduziram ao fim da nação judaica como povo de Deus, e os acontecimentos atuais, que antecedem o seu regresso e que conduzirão ao fim do mundo e ao estabelecimento do Reino de Deus. Jesus estabeleceu uma ligação entre a descrição desses dois acontecimentos. Ao referir-se à destruição de Jerusalém, as suas palavras proféticas também se referiam ao grande incêndio final do mundo.
Ele não deu essas explicações apenas para os discípulos, mas pensou também em todos aqueles que vivem nos últimos dias da história da humanidade. O que o nosso Senhor Jesus disse tem significado tanto para aquela época como para os dias de hoje. E é precisamente isso que torna a reflexão sobre a sua resposta tão interessante para nós.
Podemos dizer: na imagem que Jesus traça com a sua resposta, Jerusalém está em primeiro plano e a Segunda Vinda, juntamente com o fim do mundo, em segundo plano. A queda de Jerusalém é, por assim dizer, um „mini-fim do mundo“ e um exemplo para nós, que vivemos no fim dos tempos, antes da volta de Jesus e do grande fim do mundo. Podemos tirar daí conclusões extremamente valiosas para nós.
Visão geral
- Como é que todos os discípulos de Jesus conseguiram pôr-se em segurança a tempo?
- Por que razão as outras pessoas muito religiosas tiveram um destino tão terrível?
- O que aconteceu aos judeus mais corajosos, que sobreviveram durante três anos à queda de Jerusalém na fortaleza inexpugnável de Masada?
- O que diz a Bíblia sobre o dia mais importante da história do mundo, o dia da volta de Jesus?
- Que promessa de Deus temos para a crise que se aproxima?
Que indicações deu Jesus sobre o futuro de Jerusalém?
Lemos em Lucas 19, 41-44:
„Quando Jesus se aproximou e viu a cidade à sua frente, chorou e disse: “Se ao menos hoje percebesses o que te traz a paz! Mas estás cego para isso.”.
Chegará um tempo em que os teus inimigos erguerão uma muralha à tua volta, sitiar-te-ão e cercar-te-ão por todos os lados. Destruirão completamente a ti e aos teus habitantes e não deixarão pedra sobre pedra. Pois não reconheceste o dia em que Deus queria vir em teu auxílio.“
Continuamos a ler em Lucas 21,20-24:
„Quando os exércitos inimigos sitiarem Jerusalém, saibam que a cidade será em breve destruída. Nessa altura, todos os habitantes da Judeia devem fugir para as montanhas! Quem estiver na cidade deve abandoná-la rapidamente, e as pessoas do campo não devem entrar na cidade! Pois então chegarão os dias do juízo, em que se cumprirá tudo o que está previsto nas Escrituras Sagradas.
As mulheres que estão grávidas ou a amamentar serão particularmente afetadas. Todo o país será atingido por uma terrível miséria, porque a ira de Deus se volta contra este povo. As pessoas serão mortas à espada ou levadas como prisioneiras para todas as partes do mundo. Jerusalém será devastada pelos estrangeiros, até que também o tempo destes tenha chegado.“
Como era a situação em Jerusalém cerca de 30 anos após a morte de Jesus?
Sabemos, pela Bíblia e pela história — especialmente através de Flávio Josefo e da sua obra „A Guerra Judaica“, – como foram os acontecimentos naquela altura. Josefo é testemunha ocular. Foi, inicialmente, comandante judeu da Galileia e, após a sua captura e indulto, cronista de guerra romano.
As vozes contra a odiada Roma tornavam-se cada vez mais altas. No partido judeu dos zelotes, reuniam-se fanáticos e rebeldes. Exigiam incessantemente a abolição do domínio estrangeiro. Cada um deles trazia um punhal debaixo da túnica. Também oprimiam os seus próprios compatriotas.
As arbitrariedades dos procuradores romanos contribuíram para agravar a situação. Em maio de 66 d.C., eclodiu a revolta. A coorte romana em Jerusalém foi massacrada. Por todo o país eclodiram revoltas, pelo que Céstio Galus, o governador romano da Síria, teve de ser chamado em auxílio. No final de setembro de 66 d.C., avançou sobre Jerusalém com a sua legião. Em pouco tempo, a cidade nova de Jerusalém foi tomada e a batalha pelo templo acalmou. Os judeus opuseram uma resistência acirrada.
Jerusalém estava agora cercada por exércitos inimigos. Quem vivia no campo podia agora fugir facilmente. Mas como é possível fugir de uma cidade sitiada em grande número, com mulheres e crianças? Será que Jesus lhes deu um sinal impossível? Será que lhes disse algo errado?
Josefo relatou: „Céstio (Galo), que parecia não ter conhecimento nem do desespero dos sitiados nem do estado de espírito do povo (uma parte significativa já queria entregar a cidade), ordenou subitamente aos seus soldados que iniciassem a retirada; apesar de não ter sofrido qualquer revés, desistiu de toda a esperança e, de forma incompreensível, abandonou a cidade.“
Os romanos retiraram-se. Os zelotes perseguiram-nos e infligiram-lhes perdas gravíssimas. Durante os oito dias que durou a perseguição, os discípulos tiveram oportunidade de abandonar Jerusalém sem que os romanos ou os zelotes pudessem impedi-los. Os romanos e os zelotes dirigiram-se para oeste. Para onde deveriam os discípulos fugir? … O que disse Jesus? … Para as montanhas! Estas ficam a leste, do outro lado do Jordão. Todos os discípulos conseguiram refugiar-se sem obstáculos em Pella, uma cidade na região montanhosa do outro lado do Jordão. Lá estavam em segurança. Quando os romanos regressaram, conquistaram primeiro as zonas rurais. Mas deixaram intacto o território a leste do Jordão, onde os discípulos se encontravam.
Vamos olhar por um momento para os discípulos daquela época e perguntar-nos: será que eu também teria fugido?
De uma cidade sitiada só se consegue fugir — se é que isso é possível — correndo um grande perigo. Quando os romanos se retiraram, os cristãos fugiram. Será que ainda é necessário fugir quando os inimigos já se foram? A ameaça tinha desaparecido. Após a retirada dos romanos, não havia motivos militares para uma fuga. Os próprios romanos só regressaram a Jerusalém quatro anos depois. Tinham-se retirado em outubro de 66 e só voltaram a sitiar Jerusalém na primavera do ano 70.
Então, por que é que os discípulos fugiram na mesma?
Fugiram porque obedeceram à palavra de Jesus. Obedeceram à palavra de Jesus, que parecia tão ilógica, apesar de, aparentemente, já não haver qualquer perigo. Fugir significava salvar a própria vida e alguns pertences; abandonar a casa; deixar para trás todos os seus bens.
Como é que conseguiram tomar uma decisão tão importante, apesar de, aparentemente, já não existir qualquer perigo? Estou convencido de uma coisa: os cristãos daquela época viviam numa obediência constante à fé. Para eles, não havia sequer dilemas difíceis. Simplesmente obedeceram à Palavra de Jesus, porque estavam habituados a confiar n’Ele em tudo. Os discípulos que fugiram salvaram apenas a vida. Perderam a casa e os bens. Muitos deles doaram os seus bens à comunidade. As pessoas „sensatas“, que ficaram para trás, mantiveram as suas casas e bens durante mais quatro anos. Depois, também perderam tudo, incluindo as suas vidas.
Naquela altura, terias fugido também? Quero dizer, se teríamos fugido apenas com base na palavra de Jesus, cada um pode determinar isso por si próprio, respondendo às seguintes perguntas: Se sim, será que, por confiança n’Ele e no Seu amor, sigo tudo o que já sei da Sua Palavra?
Quem hoje não seguir a Palavra de Deus em qualquer aspeto ou ignorar certas coisas, também não teria fugido naquela altura. Quem não desenvolver hoje o bom hábito de seguir Jesus em tudo corre um risco enorme quando chegar um período de crise. Mas se aprendermos a confiar em Jesus e a obedecer-Lhe hoje, neste bom tempo de liberdade, então tomaremos certamente boas decisões também nas crises que vierem.
Que recomendação lhes fez Jesus quanto ao momento da fuga?
„Peçam a Deus para que não tenham de fugir no inverno ou num sábado.“ Mateus 24,20
Será que os cristãos rezaram isto naquela altura? Sem dúvida! Como é que o Senhor atendeu à sua oração? A fuga dos cristãos ocorreu — segundo o nosso calendário — a 19 de outubro de 66 d.C., ou seja, mesmo antes do início da estação das chuvas. Com caminhos não pavimentados, a chuva é catastrófica. Os discípulos puderam, assim, fugir em meados de outubro. Esta é uma altura em que já não faz calor e as chuvas de outono ainda não começaram. Se já era necessário fugir, então, do ponto de vista da estação do ano, esta foi uma altura favorável.
E como terminou a outra parte do pedido?
Os romanos retiraram-se de Jerusalém na quinta-feira, 16 de outubro de 66 d.C. Jesus tinha insistido com extrema urgência na fuga imediata. Por que razão não fugiram naquele mesmo instante? A sexta-feira era um período demasiado curto para a fuga, uma vez que o início do sábado era por volta das 18 horas. No sábado, não fugiram, mas santificaram esse dia, de acordo com o mandamento de Cristo. Só fugiram no domingo, 19 de outubro. Isto demonstra claramente que nada sabiam sobre a transferência do sábado para o primeiro dia da semana em honra da ressurreição de Jesus e, além disso, uma vez que foi o próprio Jesus quem deu essa ordem, que Jesus também não tinha essa intenção.
Naquela época, os judeus não respeitavam o sábado. Realizavam, várias vezes durante o sábado, incursões e ataques de grande envergadura contra os romanos. Os cristãos, porém, respeitavam o sábado, mesmo nessas circunstâncias excecionais.
Por que razão era tão importante para Jesus que a fuga não ocorresse no sábado?
O sábado foi instituído por Cristo aquando da Criação. Por isso, Ele intitula-Se Senhor do sábado. Foi Ele quem nos o ofereceu como presente e o protegeu nos Dez Mandamentos (João 1,1-3+14; Marcos 2,27.28; Génesis 2,1-4; Êxodo 20,8-11). Deus descansou nesse dia. A Bíblia não diz que Ele se tenha repousado. Deus não se cansa. O Senhor descansou e descansa para ter, todas as semanas, um momento especial de comunhão connosco. E o homem também deve deixar o trabalho de lado para ter comunhão com o seu Criador e Redentor, pois a comunhão com Cristo é a âncora da nossa vida. O sábado é uma ilha no oceano do tempo, onde encontramos a liberdade, a esperança e a bondade de Deus para com os homens. Jesus considerou tão importante que eles tivessem essa comunhão com Ele no sábado, mesmo naquele momento dramático da fuga. Numa emergência tão grande, é tão importante saber que a minha vida está nas mãos do Todo-Poderoso, que reina sobre mim com bondade, e que estou em aliança com Ele.
Como é que todos os seguidores de Jesus conseguiram pôr-se em segurança a tempo? Porque confiavam em Jesus e agiram exatamente de acordo com a Sua palavra. A promessa de Deus para o fim dos tempos também se cumpriu neles: „O Senhor sabe como livrar da angústia aqueles que O honram.“ 2. Pedro 2,9
Será que podemos confiar nas palavras de Jesus? É mais provável que o céu e a terra passem do que uma palavra de Jesus não se cumpra. (Mateus 24,35)
Na primavera de 70 d.C., Tito, que mais tarde se tornaria imperador romano, avançou sobre Jerusalém com 80 000 homens. Jesus tinha dito: … as pessoas do campo não devem ir para a cidade. (Lucas 21,21) Os discípulos cumpriram essa ordem. Mantiveram-se afastados de Jerusalém durante quatro anos. Provavelmente, em Jerusalém teriam sido ameaçados pelos zelotes. Os judeus não cumpriram essa orientação. Permaneceram na cidade, e as pessoas do campo dirigiram-se para lá. Jerusalém estava a rebentar pelas costuras com peregrinos que tinham vindo para a Festa da Páscoa quando foi cercada. Quem não obedece à palavra de Jesus coloca-se numa situação de grande perigo.
Muitos dos que ali se encontravam eram pessoas religiosas. Afinal, tinham vindo por causa da Páscoa. Esta festa tinha sido originalmente instituída por Deus. Mas, com a morte de Jesus, tinha perdido o seu propósito divino. Na igreja judaica da época, muitas doutrinas e instituições humanas tinham substituído a vontade de Deus. Jesus já lhes tinha dito isto décadas antes: „Este povo honra-me apenas com palavras, diz Deus, mas o seu coração está longe de mim; todo o seu culto é inútil, pois ensinam apenas mandamentos inventados pelos homens. Deixam de lado o mandamento de Deus, mas apegam-se às regras dos homens.“ Marcos 7,6-8
No Sermão da Montanha, Jesus deixou bem claro que de nada serve ser religioso sem a obediência à fé.
Ele disse: „No Dia do Juízo Final, muitos dir-me-ão: Senhor, Senhor! Em teu nome anunciámos as palavras de Deus, em teu nome expulsámos espíritos malignos e realizámos muitos milagres. E, no entanto, proferirei este veredicto: Nunca vos conheci. Não cumpriram a vontade de Deus; afastem-se de mim.“ Mateus 7,22.23
Os verdadeiros crentes tinham-se deixado chamar, por meio de Jesus e dos apóstolos, para fora da Igreja judaica, que já não cumpria a vontade de Deus. Esta constatação é tão importante para que compreendamos que não são as pessoas religiosas que são salvas, mas sim aquelas que confiam em Jesus Cristo e na Palavra de Deus e Lhe seguem.
Deus tinha retirado a Sua mão protetora de Jerusalém. Infelizmente, os judeus não tinham aproveitado os séculos de graça de Deus. (Daniel 9,25 – 70 semanas de anos = 490 anos) Assim, chegou, a certa altura, o fim da graça. Deus, no Seu amor, quer salvar. Jesus chorou por Jerusalém e disse-lhes: „Quantas vezes quis reunir os teus habitantes à minha volta, tal como uma galinha acolhe os seus pintos debaixo das asas! Mas vocês não quiseram.“ Mateus 23,27
Toda a religiosidade é inútil se o homem não cumprir a vontade de Deus. É também, em grande medida, essa a tragédia do nosso tempo.
O que aconteceu em Jerusalém depois de a graça protetora de Deus se ter retirado?
Aconteceram coisas terríveis. A batalha por Jerusalém tornava-se cada vez mais violenta, mês após mês. Tito exortou os judeus várias vezes a renderem-se, pois pretendia poupar a cidade e o templo. Eles recusaram. Tito ordenou, então, que se agisse com severidade. Todos aqueles que abandonavam Jerusalém ao abrigo da escuridão e eram capturados eram crucificados; diariamente, cerca de 500 crucificados. Uma floresta de cruzes crescia em torno de Jerusalém. Só quando já não havia mais madeira disponível é que os romanos cessaram essa prática.
Para impedir qualquer fuga e qualquer abastecimento a Jerusalém, Tito mandou construir um vala com fortificações e instalar uma cadeia de postos de guarda. O que é que Jesus tinha predito? „Chegará um tempo em que os teus inimigos erguerão uma muralha à tua volta, sitiar-te-ão e cercar-te-ão por todos os lados. Destruirão completamente a ti e aos teus habitantes e não deixarão pedra sobre pedra. Pois não reconheceste o dia em que Deus queria vir em teu auxílio.“ Lucas 19,43.44
A fome assolava terrivelmente a cidade. As pessoas morriam de fome em massa. No espaço de três meses, os judeus retiraram 115 800 cadáveres apenas por um dos portões da cidade. Mas não se queriam render. Assim que surgia a mínima sombra de algo comestível, começava imediatamente uma luta por isso. Mastigavam os seus cintos e sapatos, feno velho e… bebés. O que é que Jesus tinha predito: „Isto vai afetar de forma particularmente grave as mulheres que estão grávidas ou a amamentar.“ Lucas 21,23
É terrível o que as pessoas fazem quando o Espírito de Deus se afasta delas. Há uma frase que diz: „A humanidade sem divindade conduz à bestialidade“, ou seja, a ação humana sem influência divina conduz ao que há de mais bestial. O ser humano, deixado à sua própria sorte, é capaz de tudo. Além disso, é também muito suscetível à superstição e às influências dos demónios. A „ira de Deus“ consistiu no facto de Deus se ter afastado deles, depois de estes terem rejeitado repetidamente a Sua graça.
Muitos habitantes de Jerusalém continuavam a tentar fugir da morte por inanição, aproveitando a proteção da noite. Foram capturados pelas tropas auxiliares dos romanos. Estas tinham ouvido dizer que os fugitivos levavam consigo ouro e pedras preciosas e que os engoliam para que não lhes fossem confiscados. E assim, abriram-lhes o ventre — 2 000 numa única noite. Tito ficou furioso. Mandou matar também os culpados. Mas os acontecimentos horríveis continuaram.
Os romanos atacavam Jerusalém sem parar e conquistavam a cidade pedaço a pedaço. Tito propôs que os judeus lutassem ao lado dos romanos noutro local, para preservar o templo. Eles recusaram. Tito ordenou que o templo fosse poupado. Mas os soldados, na sua fúria, lançaram tochas incendiárias para o interior. Tito ordenou que as apagassem. Ninguém lhe deu ouvidos.
Houve assassinatos e pilhagens. Titus acabou por ordenar que o templo incendiado fosse arrasado até ao solo. Os soldados cumpriram a tarefa na íntegra. Devido ao calor do incêndio, grande parte do ouro do templo tinha-se infiltrado no solo; por isso, chegaram mesmo a revolver o solo. Assim, no final, o edomita Turnus Rufus pôde passar o arado pelo local do templo.
O que é que Jesus tinha dito sobre os edifícios do templo: „Por isso, Deus abandonará o vosso templo, e este ficará em ruínas. Digo-vos que aqui não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído até aos alicerces.“ Mateus 23,38 e 24,2
Para muitas pessoas, tanto naquela época como hoje, não faz diferença o que Deus disse. Mas tudo o que os profetas de Deus predisseram está a cumprir-se.
Naquela terrível guerra judaica, mais de um milhão de pessoas perderam a vida. 97 000 foram levadas para o cativeiro como escravos. Destas, 11 000 morreram de fome, porque não lhes foi dada comida de imediato. Uma parte dos homens com mais de 17 anos foi enviada para as minas de ouro no Egito. O restante foi distribuído pelas províncias do Império Romano para morrer em espetáculos, à mão da espada ou às garras de animais selvagens. Por cada „espetáculo“, morriam até 2 000 escravos judeus. Nunca uma cidade viveu um destino tão terrível como Jerusalém. É, de facto, um exemplo do fim do mundo. O que é que Jesus tinha predito: „As pessoas serão mortas à espada ou levadas como prisioneiras para todas as partes do mundo. Jerusalém será devastada pelos estrangeiros…“ Lucas 21,24
Por que razão as outras pessoas, que também eram religiosas, tiveram um destino tão terrível?
Porque não confiavam em Jesus e, por isso, não seguiram a Sua palavra. Naquela altura, morreram à espada, de fome, crucificados, por suicídio e na escravatura. Jesus apontou como causa: „Mas vocês não quiseram.“ Mateus 23,37
A guerra ainda não tinha terminado com a destruição de Jerusalém: uma parte dos zelotes mais ousados conseguiu refugiar-se na fortaleza inexpugnável de Masada, que tinham conquistado aos romanos num ataque relâmpago no ano de 66. Só foi redescoberta no século passado e, na sua essência, foi escavada em 1963.
O que aconteceu aos mais ousados, que confiaram na sua audácia e força? O que aconteceu à fortaleza inexpugnável?
O general romano Flavius Silva sitiou Masada com 10 000 homens. Esta fortaleza situa-se num enorme rochedo, cujas paredes se erguem quase na vertical. Tem a forma de um navio gigantesco. É plana no topo, o que permitia até mesmo criar jardins ali. Tinham provisões para muitos anos.
Os romanos construíram uma muralha defensiva com 3,5 km de comprimento à volta de toda a fortaleza rochosa, para que ninguém pudesse entrar nem sair. No lado oeste da rocha — onde esta é mais baixa —, construíram, ao longo de dois anos de trabalho, uma rampa de terra com cerca de 200 metros de largura. Por essa rampa de assalto, conseguiram subir com um aríete. Com ele, conseguiram abrir uma brecha na muralha. No início de maio de 73 d.C., a fortaleza estava pronta para ser tomada. Na manhã de 2 de maio de 73 d.C., estava previsto o ataque dos romanos. Os romanos tinham uma superioridade numérica de dez para um.
Os sitiados tinham-se apercebido da desesperança da sua situação.
Durante a noite, o comandante da fortaleza proferiu um discurso: o seu tom geral era: «Mais vale a morte do que a escravidão. Deus abandonou-nos! Vamos pôr fim às nossas próprias vidas.» – Após um segundo discurso, estavam dispostos a fazê-lo. Pareciam possuídos. Primeiro, os homens mataram as suas mulheres e filhos. Depois, escolheram entre os homens dez que teriam de matar os restantes. Esses dez sortearam quem teria de matar os outros nove. O último incendiou os edifícios e, em seguida, atirou-se para a sua própria espada.
Durante o seu ataque, os romanos depararam-se com edifícios em chamas e 960 mortos. – Masada é hoje o local onde os recrutas israelitas prestam juramento. Os israelitas vêem nos 960 defensores de Masada os seus modelos a seguir.
Essas 960 pessoas eram, sem dúvida, pessoas infelizes que se tinham colocado numa situação terrível, na qual foram dominadas pelo pânico. Tinham-se tornado vítimas das suas próprias ideias e da confiança na sua própria força.
O que aconteceu aos mais ousados? Entraram em pânico e tiraram a própria vida.
Jesus disse: „… não reconheceste o dia em que Deus queria vir em teu auxílio“ Lucas 19,44 e: „Quantas vezes quis reunir os teus habitantes à minha volta, tal como uma galinha acolhe os seus pintos debaixo das asas! Mas vocês não quiseram. Por isso, Deus abandonará o vosso templo, e este ficará em ruínas.“ Mateus 23,37
Deus fez tudo o que podia, no seu grande amor e onipotência, para os salvar desse terrível destino. Mas eles não quiseram. O nosso grande e bondoso Deus, que é um Deus de amor, respeita as nossas decisões, mesmo que essas decisões erradas Lhe causem grande tristeza, porque Ele conhece de antemão o resultado desses caminhos errados. Quando Deus, devido às nossas decisões, se afasta de nós e nos deixa exclusivamente à nossa própria sorte, ficamos em grande perigo.
Desde a destruição do templo, muitos visitantes de Jerusalém fazem uma pergunta. Essa pergunta e a respetiva resposta já tinham sido reveladas por Deus a Salomão mil anos antes: „Por que razão o Senhor devastou assim esta terra e esta casa? Porque se afastaram do Senhor.“ 2. Crónicas 7,21
Qual é, para nós, hoje, o sinal decisivo? Naquela época, foi o cerco por parte de um exército inimigo. Para nós, o sinal será a lei do domingo, que será aprovada nos EUA.
O que diz a Bíblia sobre o dia mais importante da história do mundo, o dia da volta de Jesus?
Haverá apenas dois grupos de pessoas (pertencemos a um ou a outro). „De dois homens que trabalham no campo, um é aceite e o outro fica para trás. De duas mulheres que moem cereais juntas, uma é aceite e a outra fica para trás.“ Mateus 24,40.41
„Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Vinde! O meu Pai abençoou-vos. Tomai posse do novo mundo de Deus, que Ele vos destinou desde o início.”» Mateus 24,34
E o que vai acontecer aos outros? „O mundo atual só existirá enquanto Deus assim o determinar. Quando chegar o Dia do Juízo Final, ele será destruído pelo fogo, e com ele todos aqueles que não obedeceram a Deus. …
Mas o Dia do Senhor virá de forma inesperada, como um ladrão. Nessa altura, os céus desaparecerão numa tempestade de fogo, os corpos celestes serão consumidos pelo fogo e a Terra, juntamente com tudo o que nela existe, derreterá. “Se pensardes que tudo irá perecer desta forma, que incentivo isso deve ser para vós levardes uma vida que agrade a Deus!» 2.ª Carta de Pedro 3,7.10.11
A segunda vinda de Jesus divide a humanidade em dois grupos: aqueles que confiaram em Jesus em tudo e O seguiram receberão o Reino de Deus; para os outros, será o fim do mundo.
Que promessa de Deus temos para a crise que se aproxima? „O Senhor sabe como livrar da angústia aqueles que O honram.“ 2. Pedro 2,9
Ele salvou os discípulos naquela época e salvará também os discípulos de hoje, que O honram através da confiança e da obediência.
Por que é que nos vemos confrontados com esta decisão?
A Bíblia diz: „»Vivei na expectativa do grande dia que Deus trará. Contribuí para que Ele possa vir em breve. Pois é apenas por isso que os céus se consumirão em chamas e os corpos celestes se derreterão, para que Deus possa criar algo novo. Deus prometeu-nos um novo céu e uma nova terra. Lá já não haverá injustiça, porque a vontade de Deus reinará. É por este novo mundo que esperamos.“ 2. Pedro 3,12.13
A Segunda Vinda de Jesus e o fim do mundo que a acompanha estão para chegar, para que todas as aflições da Terra — doença, dor, sofrimento, morte — cheguem ao fim (Apocalipse 21,3.4).
A partir daí, todo o universo voltará a ser governado exclusivamente pelo amor de Deus. Deus criará um novo céu e uma nova terra.
Talvez muitos se encontrem na mesma situação que um rei assassinado: encontraram-lhe uma carta no bolso. Esta estava fechada e por ler. O autor da carta tinha alertado o rei, chamando a atenção para o atentado que se pretendia cometer. A carta poderia ter salvado o rei; mas ele não a tinha lido.
Deus também nos escreveu uma carta. Será que a lemos e a levamos em consideração? Deus sempre advertiu os homens sobre os juízos que se avizinhavam. Quem confiou na sua mensagem de advertência e — obedecendo aos seus mandamentos — agiu segundo a sua vontade, foi poupado das aflições que se abateram sobre os desobedientes e os incrédulos.
Um americano tinha encomendado um barómetro numa loja de vendas por correspondência. Foi-lhe entregue pelo correio a 21 de setembro de 1938. Quando o desembalou, o barómetro indicava „tempestade“. Então, ocorreu-lhe que aquele barómetro não devia estar a funcionar bem. Embalou-o novamente na hora, foi aos correios e devolveu-o. Sabemos o que aconteceu? Ainda nesse mesmo dia, um furacão arrasou a sua casa. – Vamos confiar na previsão do nosso Senhor Jesus sobre o fim dos tempos, obedecer e ser salvos, ou também achamos que este instrumento – a Bíblia – não é fiável e sofreremos a perda eterna?
Jesus deu-nos indicações suficientes para que não sejamos atingidos pela grande catástrofe do fim do mundo, mas sim para que alcancemos a vida eterna na glória, no Reino de Deus. Quem seguir as indicações de Jesus não precisa de se preocupar com o seu futuro.
Que conclusão quero tirar para mim? Que decisão quero tomar?
Posso dizer que tomei a minha decisão aos 36 anos. Passei uma semana a debater-me interiormente por causa dessa decisão. Depois, percebi que não é um risco confiar a minha vida ao Deus do amor eterno. Estou feliz por ter tomado naquela altura a minha decisão a favor Dele. Nunca me arrependi dessa decisão, pelo contrário, ainda hoje me sinto feliz por ela. Agradeço ao meu Senhor por me ter concedido uma vida muito valiosa ao segui-Lo. – Só temos o hoje à nossa disposição. Aproveitemos-no.
Li recentemente o seguinte relato: um avião estava a aproximar-se para aterrar. Um desvio de rota de apenas três graus foi a causa de um acidente aéreo, no qual 95 pessoas perderam a vida segundos antes da aterragem. Um desvio de rota de três graus – na verdade, nada de especial, mas foi o suficiente para destruir a vida de muitas pessoas. Nós também estamos a caminho. O nosso objetivo mais importante é: Deus e o Seu Reino. Só o alcançaremos se nos mantivermos „no rumo certo“ ou – se necessário – fizermos uma correção de rumo. É por isso que precisamos da comunhão diária e semanal com o nosso Senhor. Só assim seremos preservados de que a nossa vida termine em tragédia. Será que já estamos na fase de aproximação para a aterragem? Num outro artigo da série «Experiências com Deus», poderás saber mais sobre os sinais dos tempos, tanto naquela época como hoje. Jesus disse: „Quando virdes todas estas coisas acontecerem, sabereis que o fim está iminente.“ Mateus 24,33. Desejo-te que possas aguardar o grande dia de Deus com alegria e confiança, e que faças tua a súplica do Pai Nosso: „Venha a nós o Teu Reino“.







