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Uma ideia genial de Deus

Servir, dar, ajudar! Porquê e para quê?

À primeira vista, este tema parece „demodado“, pois quem é que gostaria de ser considerado um servo? Preferimos, sem dúvida, decidir por nós próprios sobre a nossa vida – e, se possível, controlar também os outros.

No entanto, sem „servir, dar, ajudar“, a vida não é possível. Deus criou o nosso mundo de forma a que uns sirvam, ajudem e dêem aos outros! Sem a fotossíntese nas plantas verdes, não teríamos oxigénio para respirar. E, por sua vez, o nosso CO₂ ajuda as plantas. Os átomos, as células, os ciclos e as interações mútuas falam a mesma língua: todos trabalham „de mãos dadas“ e dependem uns dos outros.

Parte 1: LEI DA CAUSA E DO EFEITO
A quem devo seguir? Ao espírito da época ou à Palavra de Deus?

O homem „natural“ quer que os outros trabalhem para ele, sem estar ele próprio disposto a servir. O mesmo se passa com o cristão „carnal“.

Também os fariseus e os escribas da época de Jesus eram marcados por esta atitude (ver Mateus 23,4-7). Mas Jesus exorta-nos a algo diferente: „O maior entre vós deve ser o vosso servo.“ (Mateus 23,11) A maioria das pessoas pensa que uma atitude dessas só lhes traria desvantagens, mas é precisamente o contrário!

Duas atitudes fundamentais diferentes

Uma vez que Deus é amor (1 João 4,16), a sua atitude fundamental é: dar!

Mas Ele não quer apenas dar-nos, mas sim que nós demos aos outros e recebamos mais em troca do que se Ele nos tivesse abençoado diretamente. Desta forma, não é apenas uma pessoa que é abençoada, mas várias, muitas vezes muitas e, por vezes, o mundo inteiro. Este é o caminho genial de Deus.

Uma vez que o Maligno é egoísta (Isaías 14,13.14: „Quero elevar o meu trono acima das estrelas de Deus…“), A sua atitude básica é: Eu! Eu! Eu! Pegar! Ter! Egoísmo! Ser o maior!

A lei da causa e efeito

„A sabedoria divina estabeleceu, no plano da redenção, a lei da causa e do efeito, segundo a qual as boas ações de todo o tipo duplamente abençoado será. Quem ajuda quem precisa, abençoa os outros e é abençoados ainda mais. Deus poderia ter alcançado o Seu objetivo de redimir os pecadores sem a ajuda humana; mas sabia que o homem não poderia ser feliz sem colaborar nessa grande obra, cultivando a abnegação e a benevolência. … Para que não percamos os resultados abençoados da benevolência, o nosso Salvador concebeu o plano de nos conquistar como seus colaboradores.“ (Do tesouro dos testemunhos, Volume 1 (Hamburgo, 1956), p. 327)

Vamos analisar esta citação com mais detalhe:

› Toda a boa ação é duplamente abençoada: tanto quem a pratica como quem a recebe são abençoados.

› Nesse processo, quem dá é abençoado ainda mais do que quem recebe. Ele percebe que: praticar a abnegação e demonstrar boa vontade para com os outros enobrece o caráter e traz felicidade a si próprio!

› Além disso, isso dá origem a muitos contactos com outras pessoas, que, em alguns casos, podem até levar a uma verdadeira amizade.

› Ser um verdadeiro colaborador de Deus significa também conduzir os outros a Jesus. Isso fortalece a nossa fé e desperta em nós uma profunda alegria.

O que é que Deus opera em nós quando servimos, ajudamos, damos, oferecemos e abençoamos?
  1. Isso faz com que a nossa boa vontade para com os outros aumente. É um processo de cura para o nosso egoísmo.
  2. O nosso serviço é uma bênção para os outros e, muitas vezes, leva-os a demonstrar-nos afeto.
  3. Servir, dar e ajudar reflete-se em nós; Deus concede-nos, assim, uma bênção retroativa
  4. Aprendemos através da ação. Ao servir os outros, desenvolvemos um caráter bondoso e cultivamos as nossas capacidades práticas, intelectuais e espirituais.
  5. Servir mantém-me próximo do Coração de Jesus. Pois quem só pensa em si próprio vai, pouco a pouco, arruinando a sua amizade com Deus – e, com isso, a sua vida espiritual.
  6. Quem se mostra prestável evita tensões e discussões na família, no trabalho e na vida social.

Um exemplo bíblico de generosidade

Encontramos um exemplo bíblico maravilhoso em João 6,9-13. Lembramo-nos da alimentação dos 5 000 homens, além das suas mulheres e filhos? Um rapaz tinha oferecido a Jesus cinco pequenos pães de cevada e dois peixes. Jesus deu graças a Deus pela comida, multiplicou-a e, com essa pequena oferta, alimentou a grande multidão. O rapaz tinha dado a Jesus tudo o que tinha.

Parece que ele não guardou nada para si. Mas acho que deve ter comido até ficar bem farto! E essa experiência deve tê-lo deixado muito feliz. De certeza que se lembrou desse acontecimento durante toda a vida.

Um pequeno exemplo da Bolívia

„Duplamente abençoado ao partilhar. Que bênçãos incríveis recebi ao ler este livro Passos para o despertar espiritual pessoal recebo. Transmito estes conteúdos todas as manhãs, durante o nosso momento de oração, aos nossos alunos da escola missionária. Ao preparar e transmitir estes conteúdos, sou abençoado o dobro do que eles. No Reino de Deus, funciona sempre assim: quem dá recebe sempre mais do que quem recebe.“ (D. K., Bolívia/América do Sul, #132)

Ajudar faz bem

O que Deus colocou originalmente no coração do ser humano vemos no exemplo das crianças pequenas. Elas querem „ajudar“ os pais. Por que é bom que os pais aceitem isso e se alegrem com isso, apesar de, a princípio, essa „ajuda“ lhes dar ainda mais trabalho? É muito claro: a criança cresce nas suas capacidades práticas e intelectuais ao „ajudar“ ou „servir“. Ela fica contente com tudo o que lhe é permitido fazer, mesmo que, no início, o resultado não seja grande coisa. Quanto mais vezes a criança puder „ajudar“, melhores resultados irá alcançar.

E, um dia, a criança torna-se realmente uma ajuda para os pais. A criança já sabe fazer alguma coisa. E se lhe for permitido aprender a ajudar nas mais diversas áreas, acabará por ser competente em muitos domínios.

O que aconteceria se os pais não permitissem que a criança „quisesse ajudar“? A criança sentir-se-ia menosprezada e perderia a vontade de oferecer a sua ajuda. Mais tarde, terá mais dificuldade em tornar-se „autossuficiente“.

Colaboradores de Jesus – porquê e para quê?

Jesus, o nosso grande exemplo, veio a esta Terra: „… para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.“ (Mateus 20,28)

O salmista exorta-nos: „Servi ao Senhor com alegria; apresentai-vos perante a sua face com júbilo!“ (Salmo 100,2) À primeira vista, pensamos que servir os outros e a alegria não podem andar de mãos dadas. Mas basta pensarmos numa criança prestável: ela fica feliz quando pode „ajudar“ ou „servir“. Deus sabe que servir é bom para nós.

Servir, dar, ajudar numa comunidade

O homem „natural“ serve com relutância. O mesmo se aplica ao cristão „carnal“ (ou seja, alguém que, sem o Espírito Santo, tenta viver com Deus pelas suas próprias forças). Por isso, numa congregação, a maioria dos membros tem, em regra, de se tornar primeiro disposta a servir. O fator decisivo para esta mudança é o enchimento pelo Espírito Santo, uma vez que este promove uma atitude diferente. A Bíblia fala muito claramente desta tarefa:„… Ele [Cristo] “Ele constituiu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas e outros ainda como pastores e mestres da Igreja. A sua missão é preparar os crentes para o serviço, para que a Igreja, o Corpo de Cristo, seja edificada.» (Efésios 4,11-12 GNB)

Cabe aos líderes das congregações e aos pastores ensinar aos seus membros como alcançar essa atitude de serviço: devem convidar diariamente o Espírito Santo a guiar os seus pensamentos, planos, sentimentos, vontades e ações. Isso pressupõe que eles próprios o pratiquem. Em seguida, devem salientar a importância que o serviço a Deus e ao próximo tem para todos nós e para a vida da igreja. E, por fim, devem orientar e formar os membros da sua congregação em várias áreas. Desta forma, Deus deseja abençoar os líderes e, através deles, a congregação. E é através do serviço dos membros, tanto a nível interno como externo, que a congregação deve ser edificada.

Servir, dar, ajudar na Bíblia

Encontramos na Bíblia muitos textos que mostram que servir, dar e ajudar são abençoados por Deus.

„Dai, e também a vós será dado: uma medida abundante, compacta, sacudida e transbordante será derramada no vosso regaço; pois com a mesma medida com que medirdes, também vos será medido.“ (Lucas 6,38 – Tradução de Menge)

„Quem dá generosamente fica cada vez mais rico; quem, porém, é mais parcimonioso do que deveria, fica cada vez mais pobre. Ao generoso vai-lhe bem e está satisfeito; quem ajuda os outros, será ele próprio ajudado.“ (Provérbios 11,24.25 NLB)

„Quem tem misericórdia do pobre empresta ao Senhor, e Ele recompensá-lo-á pelo bem que fez.“ (Provérbios 19,17)

„Lembrem-se: quem semeia com parcimónia, colherá pouco. Mas quem semeia com as mãos cheias, terá uma colheita abundante. Cada um deve dar tanto quanto tiver decidido no seu coração. Não deve fazê-lo com relutância, nem apenas porque se sente obrigado a isso. Deus ama quem dá com alegria.“ (2 Coríntios 9,6-8; ver também 9-15 GNB)

Aqui ficam mais duas citações de uma brilhante estudiosa da Bíblia sobre o tema „servir“:

„Quem rejeita a graça de uma comunhão de serviço com Cristo rejeita, com isso, a única formação que nos torna capazes de, um dia, participar na sua glória.“ (Educação (Hamburgo, 1954), p. 242; Educação, p. 264)

„Uma verdade que não é vivida nem partilhada perde o seu poder vivificante, a sua força curativa. A bênção dessa verdade só pode ser preservada se for partilhada.“ (O caminho para a saúde, Winterswijk, p. 102 – título anterior: Seguindo os passos do grande médico)

Isso significa que quem não partilha acaba por perder também o que tem.

Parte 2: A ESTagnação É UM RETROCESSO

Por que razão muitos crentes não experimentam um crescimento na fé? Por que razão, com o passar do tempo, a fé de muitos chega mesmo a diminuir? Por que razão muitos já não sentem alegria ao ler a Bíblia? E onde ficou, para muitos, o fogo do primeiro amor?

Para mim, só há uma resposta: porque vivem um „cristianismo carnal“. Porque negligenciam a sua relação pessoal com Jesus ou porque nunca a estabeleceram! Uma relação intensa de confiança e amor com Jesus protege do egoísmo e motiva-nos a servir os outros. E, por sua vez, isso abençoa-nos!

O que aqui se pede não é uma atividade intensa nos serviços da igreja, mas sim um serviço guiado pelo Espírito Santo. Para isso, Jesus tem de „ter o papel principal“ na nossa vida. Ele pode fazê-lo se habitar no nosso coração através do Espírito Santo.

Infelizmente, muitos cristãos não compreenderam bem isto; acreditam que têm de ser ativos na igreja para que Deus os possa aceitar, em primeiro lugar, como seus filhos. Mas é o contrário: quem é verdadeiramente filho de Deus deseja, por amor e gratidão para com Ele, fazer algo por Ele. E é motivado a isso por uma vida no Espírito Santo. Deus tem uma missão, ou mesmo várias, para cada um de nós. Se Lhe pedirmos que nos utilize no Seu serviço, Ele mostrar-nos-á a(s) nossa(s) missão(ões)!

É importante que cada um de nós se questione: Será que nasci de novo, será que estou „em Cristo Jesus“? Se sim, então podemos ter a certeza de uma coisa: Jesus Cristo, a quem entregamos a nossa vida todas as manhãs, habita em nós e atuará através de nós.

Se tivermos de responder «não» à pergunta acima, devemos, o mais rapidamente possível, entregar-nos ao amor de Jesus numa oração, com a disposição de O seguir em tudo. Devemos também pedir „a renovação no Espírito Santo“ (Tito 3,5). Assim, Jesus poderá habitar no nosso coração através do Espírito Santo.

Reserva diariamente tempo suficiente para o teu relacionamento com Jesus e com o Espírito Santo! Só isso nos dá a atitude e a disposição certas para que o nosso amor por Jesus se mantenha vivo – ou seja renovado. Só assim experimentaremos a alegria em Deus e na Sua Palavra. Só assim nos aproximaremos cada vez mais do coração de Deus.

„Uma vida egoísta conduz à ruína. A ganância e a avareza afastam o homem da fonte da vida. A atitude de Satanás consiste em querer possuir tudo, em querer acorrentar tudo a si próprio. Quem, pelo contrário, pensa como Cristo, deseja dar e empenhar-se pelo bem dos outros. (…) Por isso, Jesus diz-nos: “Prestem atenção e guardem-se de toda a ganância; pois ninguém vive do facto de possuir muitos bens.» (Imagens do Reino de Deus, 4.ª edição (Lüneburg, 2003), p. 208 – COL 259)

A Lei do Serviço – na sua essência!

„Todas as coisas no céu e na terra proclamam que toda a vida está sujeita à lei do serviço. O Pai eterno cuida das necessidades de cada ser vivo. Cristo veio à Terra como aquele que serve. Os anjos são espíritos servos, enviados para servir em benefício daqueles que hão de herdar a bem-aventurança. Em toda a natureza impera esta lei do serviço. (…) Assim como cada coisa na natureza serve à vida do mundo, também assegura a sua própria. “Dai, e ser-vos-á dado», é a orientação que está tão claramente estabelecida na natureza como nas páginas das Escrituras Sagradas.» (Educação (Hamburgo, 1954), p. 94, Educação Ed 103.2.3 (egwwritings.org)

A minha experiência profissional na área comercial

Um exemplo da minha época como comerciante serve para ilustrar esta lei do serviço. Enquanto jovem comerciante em Frankfurt am Main, fiz um curso à distância sobre planeamento e trabalho racional. Nos materiais do curso, éramos constantemente incentivados a „procurar e oferecer valor aos nossos clientes. Pois é desse valor para os nossos clientes que resulta a fidelidade dos mesmos e é daí que retiramos o nosso rendimento, o nosso sustento e o nosso lucro. Quanto mais benefícios oferecermos, maior será a nossa ‚colheita de benefícios‘“. O autor do curso tinha percebido claramente que vivemos sob a lei do serviço. Ele expressou esta abordagem com as suas próprias palavras.

Na altura, eu era responsável pela logística numa empresa de transportes. Um dia, pedi autorização ao meu diretor para visitar algumas empresas, porque queria aprender como poderíamos conquistá-las como clientes para a nossa empresa de transportes. Ele autorizou-me. Ele próprio era um excelente vendedor e disse-me que eu deveria oferecer, pelo menos, um maço de cigarros ao diretor de transporte de cada uma dessas empresas. Fiz isso duas vezes, mas depois fiquei com a consciência pesada, pois sabia que os cigarros são muito prejudiciais à saúde. Pedi perdão a Deus e prometi nunca mais fazer isso. Além disso, rezei para que Deus me ajudasse a vender da forma correta. Nessa altura, o instituto recomendou-me que me preparasse para o serviço de campo através do livro Vive com entusiasmo e vence de Frank Bettger.

Este livro ajudou-me a planear uma estratégia de vendas totalmente diferente e absolutamente correta.

Em muitas fábricas, nem sequer fui recebido pelo responsável pela expedição. Rezei e refleti sobre o que poderia fazer. Liguei aos responsáveis pela expedição que não me tinham recebido e pedi-lhes que me recebessem, pelo menos uma vez, para uma conversa, para que pudéssemos descobrir se lhes poderíamos oferecer vantagens ou não. Eu disse: „Se pudermos oferecer-vos vantagens que ainda não têm, então certamente estarão interessados em nós. Mas, caso não possamos oferecer-vos vantagens, prometo que não voltarei uma segunda vez.“ Na sequência disso, todas as empresas receberam-me e forneceram-me informações detalhadas sobre a quantidade, bem como sobre a natureza das suas mercadorias de expedição. No final da conversa, prometi analisar tudo cuidadosamente e entrar em contacto novamente. Após a minha análise, conseguimos oferecer uma ou mais vantagens a quase todas as empresas. Conseguimos, assim, quase sempre fechar negócios, inicialmente em pequena escala, limitados à área em que podíamos oferecer vantagens. No entanto, como realizámos um excelente trabalho, fomos ganhando cada vez mais participação nos negócios dessas empresas. Deus abençoou o facto de eu ter procurado o melhor para os clientes.

O Salmo 1 promete uma grande bênção para quem não „anda no conselho dos ímpios“ (por exemplo, oferecer cigarros), mas sim que se respeite a Palavra de Deus. Versículo 3: „E tudo o que ele faz sai bem.“ Podemos dizer: Vive com entusiasmo e vitória em Jesus.

Servir – prazer ou fardo?

A maioria das pessoas associa a palavra servir mais com a palavra Carga em conjunto com a palavra Desejo. Como é que se pode mudar isso?

„O Serviço significa para Cristo não há problema para as pessoas, que se dedicam inteiramente a ele. (…) Não será uma tarefa desagradável obedecer à vontade de Deus, quando nos entregamos totalmente à orientação do Seu Espírito. (Tesouro de Testemunhos, Volume 1, p. 325, 1TT 357.3)

Portanto, a forma como valorizamos o serviço depende da nossa relação com Cristo. E a nossa atitude interior, por sua vez, depende de estarmos cheios do Espírito Santo (Romanos 8,5). Só através da recepção constante do Espírito Santo é que Jesus pode habitar permanentemente nos nossos corações. O próprio Jesus diz: „Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.“ (João 15,4 – tradução de Menge) E se Ele permanecer em nós, poderemos servir com alegria.

É por isso que é tão importante que, diariamente, na minha oração matinal pessoal, dê passos decisivos:

› Examinar-me para ver se há pecado. Se houver, pedimos arrependimento, confissão, conversão e perdão. Normalmente, não haverá pecado. Nesse caso, damos graças a Deus por ter cumprido a Sua promessa: „Quem nasce de Deus não peca; pelo contrário, quem nasce de Deus, Deus o guarda, e o Maligno não lhe faz mal.“ (1 João 5,18)

› Pedir a Deus na fé, ou seja, com base numa promessa (por exemplo, Lucas 11,13), que o Espírito Santo me encha,

› Dizer a Jesus que lhe dedico toda a minha vida (A Vida de Jesus, p. 675 [676]), e

› coloco-me sob a proteção de Deus (1 João 5,18).

(Podes encontrar sugestões sobre estes pontos em Passos para o despertar espiritual pessoal no capítulo 5 „Oração de exemplo“).

Quando Deus nos utiliza no seu serviço, quando nos guia, então confia-nos as tarefas, que Ele nos reservou. Mas Ele não se limita a atribuir a tarefa, concedendo simultaneamente a capacidade para a realizar!

(Recomendação de leitura: O caminho para Cristo, Capítulo 9: „Viver ao serviço dos outros“)

Servir – sob o jugo de Jesus

Jesus diz: „Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim; pois sou manso e humilde de coração; assim encontrareis descanso para as vossas almas.“ (Mateus 11,29)

Primeiro, vamos esclarecer o conceito de „jugo“. O que é isso? Um jugo é, por um lado, uma barra de transporte que se coloca sobre os ombros e que facilita visivelmente o transporte de baldes pesados. Por outro lado, também une dois animais de tração para que trabalhem em conjunto à frente de uma carroça ou de um arado. E assim, através desta imagem, Jesus quer encorajar-nos a trabalhar em estreita colaboração com Ele. Somos, por assim dizer, atrelados juntamente com Jesus. Ele deseja unir-se a nós para o serviço comum. Que privilégio é este! Ele convida-nos a aprender com Ele, pois Ele é o Mestre.

No versículo 30, encontram-se ainda estas palavras encorajadoras: „Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.“ Este versículo faz-me lembrar uma vara de transporte almofadada e diz-me que Jesus não nos sobrecarregará se, juntamente com Ele, „carregarmos o jugo“. As „almofadas“ deste jugo chamam-se, de facto, mansidão e humildade. Pois com a arrogância e a teimosia, tornamos a nossa vida desnecessariamente difícil. Quem é humilde está ciente de que não tem a responsabilidade principal e não precisa de fazer tudo „sozinho e melhor“. Saber que Jesus partilha esse fardo acalma-nos e torna-nos amáveis e mansos. E, por isso mesmo, Ele pôde dizer que o fardo que temos de carregar é, na verdade, leve.

Serviço e testemunho

Morris Venden explica a diferença entre serviço e testemunho:

„A palavra Serviço designa o nosso Fazer, enquanto que o Certificado dar que tenha a ver com, como somos e o que dizemos. Por que é que servimos os outros? Queremos facilitar-lhes a vida, fazer-lhes bem, para que sintam que são valiosos e dignos de ser amados por nós. Talvez, através destas demonstrações de amor, se abram ao amor de Deus e consigam aceitar mais facilmente que são desejados por Ele. No nosso ministério, podemos testemunhar-lhes eficazmente o amor de Deus através do nosso ser e das nossas ações, e contar-lhes que amigo e Salvador maravilhoso encontrámos em Jesus.“

(Testemunhar Cristo sem pressão: „O que ganhamos com o nosso empenho por Jesus?“ (Lüneburg, 2008), p. 33, Partilhar Jesus não é algo que fazemos. É quem nós somos. Porque é que não me disseram isso? (PPPA 2005)

Um serviço especial: dar testemunho

Por que razão é que Jesus faz com que nos tornemos suas testemunhas através do Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 1,8)? O Espírito Santo transforma-nos e concede-nos experiências maravilhosas. Quando contamos uma experiência dessas, isso tem um grande poder de persuasão.

Exemplo: Em Marcos 5,1-20, é relatado que Jesus curou um possuído. Depois de ter sido libertado, o homem gostaria de ficar com Jesus. Ele quer juntar-se a Jesus e aos seus discípulos. Mas Jesus não lhe permite isso, dando-lhe, em vez disso, uma missão especial: „… Volta para junto dos teus familiares e conta-lhes o que Deus fez por ti e como teve misericórdia de ti.“ (Versículo 19, GNB) O que fez o curado? „O homem obedeceu e partiu. Percorreu a região das Dez Cidades e anunciou por toda a parte o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficaram maravilhados.“ (Versículo 20 GNB)

E.G. White explica o seguinte (a propósito: em Mateus 8,28-34 fala-se de dois homens):

„Eles… anunciavam por toda a parte o poder salvador de Jesus e contavam como Ele os tinha libertado dos espíritos malignos.». Assim, através do seu trabalho missionário, receberam uma bênção maior do que se tivessem permanecido junto de Jesus para seu próprio benefício. “Se ajudarmos a divulgar a grande mensagem do Salvador, aproximar-nos-emos mais do Redentor» (Aquele – Jesus Cristo, p. 331)

Os dois curados cumpriram a sua missão com alegria. Por que é que isso não foi um fardo para eles? Porque o seu coração estava cheio de amor e gratidão. Como diz o provérbio: „O que o coração está cheio, a boca transborda!“ E eles não só contaram aos seus familiares o que Jesus lhes tinha feito, como também espalharam a notícia por toda a região. Porquê?

Encontramos uma resposta muito boa a esta questão no livro O melhor caminho (E.G. White, edição revista) e, na página 58: „Esta mensagem salvadora e transformadora não pode ser guardada só para si. Quem está revestido da justiça de Cristo e cheio da alegria sagrada do Seu Espírito não pode calar-se a esse respeito.». “Quando tivermos experimentado a bondade do nosso Senhor, teremos algo para contar.»

Sim, os dois curados tinham muito para contar! Estavam cheios de alegria, porque Jesus os libertou do domínio dos demónios. E Queriam partilhar a sua alegria, na medida do possível, com muitos partilhar. Assim, receberam uma bênção adicional: „… pois a alegria que damos volta para o nosso próprio coração!“

Colaboradores de Deus – Colaboradores dos anjos

Os anjos também participam neste serviço:

„Todos aqueles que se dedicam ao serviço de Deus representam a mão solidária de Deus.». São colaboradores dos anjos; Melhor ainda: são as ferramentas humanas com a ajuda das quais os anjos cumprem a sua missão.

Os mensageiros celestiais falam através da sua boca e agem através da sua mão. Os colaboradores humanos, em colaboração com os seres celestiais, beneficiam da sua formação e experiência. Que curso universitário se pode comparar a este percurso formativo?“ (Educação (Hamburgo, 1954), p. 249, Educação, p. 271).

Damos testemunho em muitas situações. Também uma mãe que ensina aos seus filhos como rezar e como confiar em Deus é uma „evangelista“, e não menos importante do que um pastor que se dirige a milhares de pessoas. Cristo quer fazer de nós as suas testemunhas, através do Espírito Santo, para que outras pessoas encontrem o caminho até Ele.

Parte 3: SERVIR É UMA PARTE FUNDAMENTAL DA FÉ VERDADEIRA

Jesus deixou-nos, em Mateus 24 e 25, informações valiosas sobre a sua volta. Ele fala primeiro dos sinais e, em seguida, da forma como virá. Embora Jesus tenha mencionado os sinais, a sua vinda será tão inesperada para nós „como um ladrão na calada da noite“. (Capítulo 24, versículos 43 e 44). A este respeito, Jesus diz: „Por isso, estejam atentos e mantenham-se preparados! Pois não sabem quando o vosso Senhor virá“ (Capítulo 24, versículo 42 Hfa).

Em seguida, Jesus ilustra, através de várias parábolas, como deve ser essa vigilância e essa prontidão.

Dois possíveis comportamentos de um administrador (Mateus 24,45-51):

Um administrador é encarregado de cuidar dos restantes colaboradores durante a ausência do seu senhor. Quando o seu senhor regressar e o encontrar a trabalhar com diligência, atribuirá a este homem de confiança maiores responsabilidades.

Mas se esse administrador for irresponsável e achar que ainda tem muito tempo até ao regresso do seu chefe e maltratar os funcionários, em vez de lhes dar o que precisam para o seu sustento, então espera-o um fim nefasto.

Jesus mostra-nos aqui que devemos cumprir as nossas tarefas com fidelidade e responsabilidade e tratar sempre os nossos semelhantes com amor e dignidade. Assim, estaremos sempre preparados para a sua vinda.

Dois grupos de damas de honra (Mateus 25,1-13):

Dez damas de honra esperam pelo noivo. Querem acompanhá-lo no resto do caminho até à casa da noiva. Com as suas lamparinas, pretendem iluminar o caminho escuro. Cinco das raparigas trazem consigo pequenos jarros de reserva, para o caso de o óleo acabar. As outras cinco não tinham tomado precauções. No entanto, a chegada do noivo atrasa-se. Todas ficam cansadas e adormecem. Quando, de repente, à meia-noite, o noivo chega, todas acordam e acendem as suas lâmpadas.

As raparigas previdentes têm óleo suficiente. Mas as lâmpadas das outras acendem-se apenas por algum tempo e depois apagam-se. Querem ir rapidamente buscar um pouco de óleo pelo caminho, mas quando chegam ao salão de festas, a porta está trancada. O noivo não as conhece e não as deixa entrar.

Jesus mostra-nos aqui que temos de estar suficientemente cheios do Espírito Santo. Não basta ter apenas um pouco do Espírito Santo. Isso significa que precisamos de uma amizade muito pessoal e íntima com Jesus, que habita em nós através do Espírito Santo, para que estejamos verdadeiramente preparados para a Sua vinda.

Gerir o dinheiro que nos foi confiado (Mateus 25,14-30):

Um empresário pretendia viajar e, antes de partir, reuniu os seus colaboradores e repartiu a sua fortuna entre eles. Na sua ausência, cada um deveria gerir o dinheiro que lhe fora atribuído e fazê-lo render. Dois trabalharam diligentemente com o dinheiro e obtiveram bons lucros. Mas o terceiro escondeu o dinheiro. Ao regressar, o empresário recompensou os dois homens diligentes com maiores responsabilidades. Ao terceiro, perguntou-lhe por que razão não tinha, pelo menos, depositado o dinheiro no banco para receber juros. Mas este homem tinha uma imagem completamente errada do seu chefe. Desconfiava dele e acusava-o de explorar os outros e de os tratar injustamente. Não é de admirar que este homem tenha sido despedido!

Jesus mostra-nos aqui que o nosso serviço a Ele e aos nossos semelhantes decorre da tem de ser feito com a configuração correta. Quem serve a Deus com amor e confiança é muito bem-vindo no novo mundo de Deus.

„Os centner que Cristo confia à sua Igreja são, em primeiro lugar, os dons e as bênçãos do Espírito Santo. Além disso, referem-se a todas as capacidades, tanto no domínio secular como no espiritual, que possuímos por natureza ou que adquirimos. Todas elas devem ser utilizadas ao serviço de Cristo.“ (Imagens do Reino de Deus, p. 266-268)

O Juízo Final (Mateus 25,31-46):

Quando Jesus voltar, dividirá as pessoas em dois grupos, tal como um pastor separa as ovelhas dos bodes. Colocará as ovelhas à sua direita. São todos aqueles que „serviram“ o próximo sem esperar nada em troca, praticando o amor ao próximo de forma concreta. Colocará os outros à esquerda. São todos aqueles que não ajudaram o próximo quando este precisava de ajuda.

Jesus diz no versículo 40: „O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.“ Jesus mostra-nos aqui que os seus verdadeiros seguidores fazem, de forma natural, apenas o bem ao próximo. Tornou-se para eles uma „segunda natureza“. Muitas vezes, nem sequer têm consciência disso!

A afirmação de Jesus – de que, quando servimos os outros, fazer isto por ele – deve transformar positivamente a nossa atitude em relação ao serviço e, consequentemente, as nossas relações com os outros. Imagina que pudesses convidar Jesus para jantar ou visitá-lo no hospital ou na prisão! Jesus disse que é exatamente isso que fazemos quando prestamos estes serviços de amor às pessoas à nossa volta. Esta é uma excelente oportunidade para mostrar também a Jesus o quanto O amamos e veneramos! (segundo Guia de estudo da Bíblia, 3.º trimestre de 2019, p. 100, „O que fizestes aos mais pequeninos“ – 22 de agosto)

Temos de merecer o céu?

NÃO!!! Somos salvos pela graça: „Pois é pela graça que fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós: é dom de Deus, não por obras, para que ninguém se glorie.“ (Efésios 2,8.9)

O texto diz claramente que Deus salvou-nos por graça! A nossa parte é aceitar essa graça com confiança. A salvação já aconteceu, portanto; nós foram salvos no momento em que nos entregamos totalmente a Jesus. Acreditar significa, segundo a Bíblia confiar-se. Se mantivermos esta relação de confiança, continuaremos salvos. E o nosso desejo de servir é um fruto, uma consequência da nossa salvação.

Vamos acrescentar ainda um texto de Romanos 8,24: „Pois estamos salvos, mas é pela esperança.“ O que é que isto significa? É verdade que fomos salvos, mas Deus não nos acorrentou a Si. Podemos, a qualquer momento, libertar-nos dessa ligação. A Bíblia refere que, antes do regresso de Jesus ao céu, será „verificado“ quem tem uma relação com o seu Pai celestial e quem não tem (ver Mateus 22,1-14).

Vamos resumir o que o serviço traz de positivo

Os discípulos cheios do Espírito e consagrados a Cristo ganham alegria e força através do seu serviço; as suas capacidades práticas, mentais e espirituais aumentam; e o seu caráter desenvolve-se positivamente, segundo a vontade de Deus, para o seu próprio bem. O egoísmo vai perdendo, passo a passo, o seu poder. E sou protegido contra o definhamento ou a perda da minha fé. A minha vida torna-se atraente para outras pessoas. Elas podem reconhecer em mim um estilo de vida diferente e cativante. Isto cria uma boa base para o meu testemunho: conto o que Jesus fez por mim e em mim. O meu serviço ajuda o outro, de modo que se verifica nele uma melhoria ou um alívio. Ele alegra-se por mim. E a probabilidade de o destinatário abrir o seu coração ao Evangelho torna-se maior. Ele passa a mensagem adiante e a bênção multiplica-se.

Vamos agora refletir sobre uma atitude que nos traz um grande alívio em muitas questões da vida: a disposição para seguir o nosso Senhor Jesus em tudo — e isso inclui servir, dar, ajudar e abençoar. Para Deus, o que importa não é a grandeza da oferta nem a quantidade de tempo e energia que investimos, mas sim o nosso «sim» alegre a isso. Ele regozija-se com o que cada um pode dar e não espera de nós nada que não tenhamos (2 Coríntios 8,12 Hfa).

Por isso, rezo todas as manhãs: „Pai que estás nos céus, por favor, faz com que eu esteja disposto a estar pronto para tudo o que Tu quiseres. Hebreus 13,20.21: Que o Deus da Paz… vos torne capazes de fazer tudo o que é bom, para cumprir a Sua vontade, e realize em nós o que Lhe agrada, por meio de Jesus Cristo. Deus faz com que eu o faça por vontade própria e com prazer.

Parte 4: A VIDA DE JESUS – UM EXEMPLO INCOMPARÁVEL

Jesus foi o grande exemplo deste estilo de vida. A Bíblia refere-se a ele desta forma: „Que cada um sirva o outro com amor.“ (Gálatas 5,13)

Infelizmente, os discípulos ainda não tinham compreendido isso suficientemente ao longo dos mais de três anos que passaram com Jesus. Mesmo nos últimos dias de Jesus na Terra, discutiam entre si sobre quem deles era o maior. No entanto, no seu amor e sabedoria, Jesus não entrou em discussão com eles sobre isso. Vestiu um avental e lavou os pés de cada um deles. Nunca se esqueceram deste exemplo. Isso abriu-lhes os olhos para o seu egoísmo e para o profundo amor de Jesus.

Sentiram uma vergonha terrível e compreenderam o que Jesus queria dizer com isso!

Jesus deseja que este serviço simbólico continue a ser praticado no futuro, pois disse: João 13,14-17 Hfa:

„Se até eu, o vosso mestre e senhor, vos lavei os pés, então também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Com isto, eu... Dei-vos um exemplo a seguir. Façam o mesmo! … Agora já sabem isso e “Podem considerar-se afortunados se agirem de acordo com isso.»

Após este lavamento dos pés, seguiu-se a última Ceia em conjunto. Vemos que Jesus não só ensinou os seus discípulos, como também instituiu, ao mesmo tempo, o gesto simbólico do lavamento dos pés — antes da Ceia — para a sua Igreja. Para quem está cheio do Espírito Santo, o lavamento dos pés e a Ceia nunca podem tornar-se uma mera questão de formalidade, mas o ensinamento constante será: „Através do amor, sirvam-se uns aos outros.“

Por que razão existem tensões e conflitos?

Por que razão existem tensões e discussões nas famílias? Será que, no fundo, a questão é: quem é o mais importante? Quem manda? Por que razão os casamentos acabam em divórcio?

Porque todos querem mandar e querem ter razão? E não conseguem ceder nem pedir desculpa?

Será que também nós ainda não compreendemos o verdadeiro significado do lavamento dos pés? Pois este ritual recorda-nos o nosso batismo, em que Jesus nos „lavou“ a todos e, assim, nos perdoou tudo e nos reconciliou com Deus. Da mesma forma, devemos perdoar-nos uns aos outros e reconciliar-nos uns com os outros. Como gesto simbólico dessa disposição, lavamos uns aos outros – não, não a cabeça! – mas os pés!

Jesus quer que, através do serviço amoroso e cheios do Espírito Santo (Romanos 5,5), sejamos uma bênção para os outros. E essa bênção volta para nós, somada, multiplicada e até mesmo elevada à potência! 

Um estilo de vida que nos deixa maravilhados! Um caminho maravilhoso! Queremos percorrê-lo na força e na alegria de Deus.

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