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Assédio moral no local de trabalho: quando a pressão passa do exterior para o interior

Porque é que isto me afeta tanto?

O assédio moral não começa com um ataque ostensivo. Começa com olhares que se desviam. Com frases que, aparentemente por acaso, magoam. Com convites que, de repente, deixam de chegar. Com tarefas que nos são retiradas ou erros que são ampliados para além do que realmente são. No local de trabalho, esse tipo de rejeição pode ser particularmente doloroso, porque não é possível simplesmente fugir dela. É preciso voltar lá. Todas as manhãs.

Quem é vítima de assédio moral muitas vezes não sofre apenas com o comportamento dos outros. A certa altura, a pressão externa começa a repercutir-se no interior. Então, perguntamo-nos: „Será que sou mesmo assim tão difícil?“ „Será que faço tudo mal?“ „Porque é que já não consigo dar-me bem comigo mesmo?“ O problema no local de trabalho transforma-se num problema consigo mesmo.

Mas isso não significa que sejas fraco. Significa que a tua alma está a reagir a um esforço prolongado.

Quando as palavras causam pequenas feridas

O assédio moral pode ser aberto ou dissimulado. Há quem seja alvo de escárnio, humilhado ou constantemente criticado. Outros são ignorados, isolados ou punidos com o silêncio. É particularmente doloroso quando ninguém intervém. Quando os colegas fazem vista grossa. Quando os responsáveis minimizam a situação. Quando se tem a sensação de ter de provar que a própria perceção está correta.

Com o tempo, a forma como nos vemos muda. Tornamo-nos mais cautelosos. Mais calmos. Mais tensos. Talvez durmas pior, duvides do teu desempenho ou já sintas um nó no estômago aos domingos à noite. Talvez mal te reconheças a ti próprio.

Nesses momentos, uma Linha de Apoio Espiritual ser um primeiro espaço seguro para expressares aquilo que, no dia-a-dia do trabalho, talvez estejas constantemente a engolir.

Será que o problema sou eu?

Esta é uma pergunta que muitas pessoas afetadas se fazem. E é dolorosa. É claro que é bom olhar para si próprio com honestidade. Ninguém age sempre na perfeição. No entanto, a autorreflexão é algo diferente da autodestruição. Se te limitares a culpar-te, a menosprezar-te interiormente e a interpretar cada reação dos outros como algo contra ti, isso já não é uma perspetiva saudável.

O assédio moral distorce frequentemente a imagem que temos de nós próprios. O que antes era certo torna-se incerto. O que sabíamos fazer parece, de repente, não valer nada. Começamos a pedir desculpa, apesar de não termos feito nada de errado. Sorrimos, apesar de estarmos magoados. Continuamos a funcionar, apesar de, por dentro, algo já estar a gritar há muito tempo.

Uma Linha de apoio espiritual pode ajudar a organizar os próprios pensamentos e a distinguir entre uma autoavaliação justificada e uma atribuição destrutiva de culpa.

Quando a fé não nos dá força de imediato

Talvez te perguntes por que razão Deus não intervém mais depressa. Por que razão permite que as pessoas se tratem assim umas às outras. Talvez tenhas tentado perdoar, mas a ferida continua aberta. Talvez até tenhas vergonha de não seres mais sereno.

No entanto, a fé não significa suportar tudo em silêncio. Jesus não ensinou as pessoas a justificar a injustiça. Ele viu a dignidade dos oprimidos. Ouviu a voz dos ignorados. E não julgou as pessoas com base na sua capacidade de resistência.

Podes também encontrar-te com Deus no teu cansaço. Na tua raiva. Na tua desilusão. Com a frase: „Não sei por quanto tempo mais vou conseguir aguentar isto.“ Por vezes, é precisamente essa honestidade que marca o início de um novo recomeço.

O que me pode ajudar agora?

O primeiro passo não tem de ser grande. Talvez possas começar por escrever o que viveste. Não para te deixares levar pela emoção, mas para ganhares clareza. O que aconteceu? Quem esteve envolvido? Com que frequência isso acontece? Como é que isso te afeta?

Ao mesmo tempo, precisas de pessoas que não te julguem logo à primeira vista. Acompanhamento espiritual por telefone pode ser um alívio, porque não tens de explicar primeiro por que é que tens o direito de te sentires mal. Podes falar, mesmo que ainda não se tenha resolvido nada.

Também uma Aconselhamento sobre a fé e a vida pode acompanhar-te quando sentires que o assédio moral não afeta apenas o teu dia-a-dia profissional, mas também a tua autoestima, as tuas decisões e a tua fé.

Posso voltar a levar-me a sério?

Sim. Podes levar a sério os teus limites. Podes procurar ajuda. Podes avaliar se este local de trabalho ainda te faz bem. Podes proteger-te sem te sentires culpado.

O assédio moral no local de trabalho pode destruir as pessoas por dentro, mas não deve definir quem tu és. Tu não és a soma de comentários depreciativos. Não és o eco da dureza alheia. Não és a sombra de um período difícil.

Talvez a mudança comece com uma conversa. Talvez com um «não» claro. Talvez com a coragem de deixar de virar tudo contra ti próprio. A tua dignidade permanece. Mesmo quando os outros a ignoram.

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